Desculpe parece ser a palavra mais difícil…
Ontem à noite o CQC fez uma matéria sobre o atraso na entrega dos uniformes e kits escolares. Uma matéria dura, bem ao estilo do programa (que aliás, eu assisto quando posso). Achei que o Rafinha pegou um pouco pesado e foi injusto com os funcionários da Diretoria do Jaçanã-Tremembé. O rapaz que o atendeu é um supervisor de carreira, muito sério, e não tinha condição de dar as respostas que o programa queria. No mais, a matéria é correta e também é correta a indignação dos pais e dos membros do programa com relação ao atraso e à nota emitida pela secretaria de educação.
Como disse em um post no início de março, a entrega de uniformes com tamanho personalizado para uma rede do tamanho da cidade de Campinas não é uma tarefa simples. Melhoramos bastante a entrega de uniformes desde que chegamos, com a redução da necessidade de trocas e a diminuição do prazo de entrega. Anos atrás o uniforme chegou a ser entregue em setembro. Era mais caro e continha menos itens. Ano passado entregamos tudo no primeiro mês de aulas. Este ano tivemos problemas com os dados dos alunos e com a movimentação de alunos novos na rede, dos quais não tínhamos as medidas corretas.
No caso do kit escolar, nossos fornecedores tiveram problemas com o elevado número de itens reciclados exigidos no edital de compra. Todas as capas de caderno, réguas, transferidores, canetas e demais materiais plásticos são provenientes de materiais pet e tetrapak reciclados. A cidade de São Paulo é pioneira na compra de material reciclado e estimamos a utilização de 1,6 mil toneladas de papel e 6,4 milhões de garrafas pet na confecção do kit escolar que enviamos aos alunos. As empresas estão com problemas para cumprir os prazos estabelecidos e nosso pessoal está trabalhando para que isto não ocorra.
Nenhuma destas dificuldades nos tira a responsabilidade sobre o ocorrido. O prazo estimado por nós seria o da entrega do kit escolar até o fim de março. Vai ser entregue até o fim de abril. O prazo para a entrega do kit de verão era também até o fim de março e mudou para fim de abril. O uniforme de inverno continua previsto para o meio de maio. Nenhum destes problemas nos exime de não ter dado as informações adequadas ao CQC. Mesmo que a opção fosse ter sido a de encaminhar uma nota, ela deveria explicar claramente o porquê do atraso e os novos prazos. Estou realmente chateado não com a matéria, que como disse, apesar de ter tratado de forma inadequada nossos funcionários, de resto está correta. Me sinto mal pelo atraso e por termos feito o caminho errado: em vez de dar as informações adequadas, emitimos uma nota boba, insípida. Agimos da forma tradicional, nos escondendo. E não é agindo de forma tradicional que vamos mudar alguma coisa. Não acredito nisto.
Peço desculpas aos profissionais da educação (que sofrem a cobrança na escola e não têm a solução do problema nas mãos), aos pais e ao CQC por esta “pisada na bola”. Asseguro que vamos trabalhar duro para que as empresas consigam cumprir os prazos por nós estipulados. E garanto que no ano que vem vamos alcançar o mesmo prazo do ano passado, entregando os kits escolares e de verão no primeiro mês após o carnaval.
Embora envergonhado, deixo aqui a música que dá título ao post, com Ray Charles e Elton John. Que de parecido com a situação descrita, só tem mesmo o título. Vamos em frente.

13 respostas Até agora ↓
jrbuffo // 07/04/2009 às 3:46 PM
Trabalhar com eficiência numa estrutura educacional tão complexa como a do Município de São Paulo por si só já é uma tarefa árdua. Quando serviços são terceirizados, creio que o controle e monitoramento das atividades são as melhores formas de prever possíveis erros no tempo de entrega dos produtos fornecidos. Vale ressaltar o aumento da demanda por este tipo de serviço e as alternativas geradas para sua solução.
Acredito que o papel da imprensa deva ser crítico, porém, não precionando pessoas que não estão cientes de todo o processo envolvido na distribuição do Kit Escolar.
Acredito que o importante é tentar e sempre aprimorar pois assim, poderemos com maior rapidez diminuir e acabar com as mazelas que nos afeta.
Uma pequena observação: Somente a educação de qualidade proporcionará uma sociedade de qualidade. E tentativas de melhorias são sempre bem vindas e sempre pensando na sua melhoria.
Att
Sérgio Coutinho // 08/04/2009 às 2:07 AM
Alexandre, está de parabéns pelo senso de responsabilidade demonstrado ao reconhecer o erro. Agora, falta apenas consertá-lo. Duas sugestões, ambas óbvias: chama o Rafinha para um café na secretaria e distribui logo os kits com as crianças. E fica tudo resolvido. Abraço!
Alexandre Schneider // 08/04/2009 às 6:41 AM
Sérgio:
Obrigado pelo comentário. Vamos entregar os kits e vamos mudar as coisas na Secretaria para que isto não ocorra mais.
Abraços,
Alexandre
Alexandre Schneider // 08/04/2009 às 6:42 AM
Você está correto. E vamos mudar uma série de controles na Secretaria.
deiasega // 08/04/2009 às 7:59 AM
Olá, Alexandre.
Louvável sua atitute. Parabens!
Mas se foi tão simples escrever isso aqui, pq não poderia ter repassado esta resposta ao programa CQC? Vc não estaria respondendo somente para o apresentador Rafinha Bastos e sim pra toda a população de São Paulo que necessite destes materiais.
Infelizmente, todo serviço publico é burocrático, mas não existe nenhuma lei que impede de minimizá-la.
Alexandre Schneider // 08/04/2009 às 8:17 AM
Como escrevi, erramos ao não passar as informações adequadas ao CQC. Obrigado pelo comentário!
dysprosio // 08/04/2009 às 10:04 AM
Alexandre,
Muito bom saber de um servidor público que de maneira sincera divulga informações de maneira direta na “pequena mídia”.
Parabéns pelo blog.
ericdeveloper // 08/04/2009 às 10:05 AM
Alexandre,
Parabéns por este blog e pela atitude de esclarecer o que aconteceu.
Sabemos que o problema dos kits é um problema séri0 e que deveria ser resolvido o mais rápido possível, mas acredito que você já está tomando providências para isto.
Gostaria de saber se nós podemos esperar dos Deputados e outros representantes da população atitudes como essa de se retratar pelos erros e de divulgarem as medidas a serem tomadas.
Um Abraço
Priscilla // 08/04/2009 às 12:13 PM
Admitir o erro não é algo para ser vangloriado, é o mínimo que o estado deve fazer, independente da situação.
Vangloriar-se por efetuar a entrega em abril/maio e justificar ser melhor do que setembro é uma vergonha, assim como planejar a entrega de 2010 para um mês após o carnaval.
Se a empresa não tem capacidade de entregar os materiais na data, abra concorrência e contrate outra.
Os alunos DEVEM ter o material completo em mãos desde o primeiro dia de aula. Livros, cadernos, lápis, régua, uniforme e outros materiais são as ferramentas de trabalho destas crianças. Se o estado não providencia as condições mínimas, como espera receber educação em troca? Ou esta é mais uma daquelas estratégias em educar o mínimo possível para gerar uma população que pense o mínimo necessário e garantir a manutenção desta população ignorante que temos hoje?
Você assume que é um erro em se “esconder” mas isso é exatamente o que acontece ano após ano.
Sinceramente, o pedido de desculpas aqui colocado é totalmente inválido, afinal, se houvesse realmente um esforço em consertar o problema ele já teria sido consertado. Na realidade, o poder público pouco se importa com estas crianças. Se houvesse uma preocupação real elas teriam o mesmo tratamento e oportunidade que o filho de um secretário de educação, por exemplo.
Alexandre Schneider // 08/04/2009 às 1:21 PM
Prezada Priscilla:
Não acho que assumir um erro publicamente é motivo para qualquer um, principalmente um gestor público, se vangloriar ou se diminuir. Erros e acertos fazem parte da vida. E assumir os erros cometidos e buscar corrigi-los para mim é algo normal.
Não é recomendável entregar o material aos alunos no primeiro dia de aula. Na primeira semana os alunos são recebidos na escola, novos professores chegam, assim como novos alunos. Só para você ter idéia, temos escolas com mais de dois mil alunos e não há espaço nas escolas para armazenagem do volume de material entregue. Nossa meta não é entregar um mês após o carnaval, mas na semana seguinte.
Acho que a Prefeitura avançou bastante e você há de convir que há uma diferença entre entregar materiais em abril que antes chegavam às mãos de nossos alunos em setembro ou em outubro. E no ano que vem vão chegar em março, como ocorreu no ano passado.
Muito obrigado pelo seu comentário.
Alexandre Schneider
sapobrothers // 08/04/2009 às 3:50 PM
Eu não sou um entusiasta da atual administração pública paulistana – pelo contrário.
Mas admiro quem tem coragem de se desculpar, admitir um erro. Pra mim, é quase tão importante quanto corrigí-lo.
Esta mensagem é um alívio. Nota-se que há uma preocupação não somente com o problema, mas com a prestação de contas sobre o problema.
E embora cita-se a ressalva ao método como a denúncia foi feita, diferente de outras demagogias que inutilizam uma reclamação por ela se mostrar excessiva, aqui não se isenta da responsabilidade.
Foi uma grata surpresa. Dá esperança de que se todos os problemas administrativos não serão resolvidos, ao menos eles serão tratados com maturidade – e a população, com inteligência.
Parabéns.
tonycelestino // 08/04/2009 às 4:24 PM
Também acho que se desculpar não é o bastante. Mas vindo do meio político e ainda por cima como resposta a um programa como o CQC (considerado apenas um programa de humor pela maioria dos políticos) é algo bem inusitado.
Quero parabenizá-lo, não pelo fato das desculpas, mas sim pela iniciativa de reconhecer o erro e mostrar isso abertamente, algo raríssimo de se ver em seu meio e que deveria servir como exemplo para outros políticos e agentes públicos.
Ah, segue o conselho do Prof. Sérgio Coutinho!
Boa sorte.
blogdomensageiro // 08/04/2009 às 9:12 PM
Alexandre, atitude louvável a sua, já que a postura da ‘classe’ é esconder-se por trás dos erros para não ter que justificá-los. Ainda assim, a evidência destes, traço comum da administração pública e do qual a maioria dos cidadãos, assim como eu, já está cansado de aturar, demonstra que os esforços que estão por trás da máquina ainda não são suficientes. E por uma simples razão: não atendem com eficiência as necessidades da população. Se isso não ocorre, há erro no planejamento, nos processos, nas rotinas. A visão tem que ser reversa, estabelecendo o ponto final para então se chegar ao princípio. Mas aí já é querer demais.
Permita-me também discordar quanto à postura do CQC na matéria. Diante do que se vê por aí nos orgãos de administração pública, escárnio é a palavra de ordem. Se houver algo que eu possa fazer para colaborar, de alguma maneira, é só me dizer. Abs, Andre Charak
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